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sábado, 3 de junho de 2017

Mãe das Sombras


Quem vem até mim?

               Seu servo e consorte                 
A Besta a qual vc monta

Onde me ergo?
Da espiral das sombras venho e me ergo no fogo
Com a espada nos meus pés e vindo pelas  minhas coxas levo pela descida
Meu ventre é o caminho, o início e o fim
Nas sombras meus filhos se deitam aos meus pés. Nas sombras sussurram meu nome
Chamo a mim minha besta. Aquela que retira meu véu e abre as portas
No meu ventre o sangue negro ferve, abrindo o caminho e queima. Do sangue eu me alimento.
Qual é meu nome?
No sangue eu deito, das sombras eu vim e no fogo eu danço. Do fogo eu venho e no sangue eu me alimento. Quem eu sou?

LILITU!                  
Mother of Blood!            
Baphomet, Mistress of Darkness

Com a besta venho e nela eu monto. Seu sangue é meu alimento, seu prazer é meu alimento. Seu sangue é meu prazer e da minha carne ele se verte. Da sua carne eu como e seu sangue eu bebo
Quem eu sou?

Dark Mother Divine

Me alimento dos meus filhos e eles eu consumo. Bebo seu sangue. Eu sou o sangue, eu sou o prazer, a carne que queima. No fogo eu danço, eu sou o fogo negro que consome no ventre negro. As portas eu abro, pelo ventre eles vem. No meu sangue negro eles dançam, dos meus seios eles se alimentam, sua dor é meu prazer, meu prazer queima como o fogo do sol negro. Do prazer eu venho, eu sou o prazer que queima. A carne. O caminho o início e o fim. Eu sou a mãe e a consorte.                    
A mãe negra e a consorte escarlate                     
Eu sou Babalon, sou Lilith, a fornicaria, a mãe das sombras

Por Kaligula & AShTarot Cognatus

quinta-feira, 2 de junho de 2016

As Forças Negras



  
ONA YF87       

Por muito tempo nossos inimigos têm mentido sobre nós. Mas como a correnteza cósmica inicia outra mudança Aeônica, e a era dos Deuses Obscuros se inicia, nós proclamamos abertamente nosso desafio e nosso credo.

 Não mais as mentiras deverão permanecer inquestionadas. Portanto, nós - como representantes daquelas Forças Negras que sempre instigaram nossa evolução proclamamos o seguinte sobre nosso caminho sinistro e sua vivência:

1) Os Deuses Obscuros são meios de auto-realização, auto-compreensão e auto-divindade.

2) Nós acreditamos que apenas através da jornada pelas trevas interiores e exteriores, atravessando o Abismo, poderemos verdadeiramente atingir o auto-conhecimento.

3) Nossos ritos, cerimônias e magia são afirmações da vida. Nos mostram e trazem, o êxtase da existência, a gargalhada da vida e a auto-superação do verdadeiro adepto.

4) Nós somos temidos pois entendemos e regozijamos da vida e dos seus prazeres, mas mais importante, das suas possibilidades. Nós estendemos os limites da evolução, enquanto outros dormem e choram.

5) Tudo que enfraquece nós desprezamos: nós não queremos o covarde e o fraco que é preso á suas próprias falhas, que apressa-se sobre a imundície que cobre aqueles que cometem atos desonrosos. Nós reverenciamos a honra porque honra significa auto-excelência e o reconhecimento do equilíbrio cósmico que é o adepto.

6) Quando nós odiamos, odiamos abertamente e quando amamos, amamos com uma paixão que equivale a nossa arrogância: sempre atentos ao fato de nunca podermos amar alguém ou algo ao ponto de não podermos ver isto morrer, uma vez que a morte é um processo natural de mudança de forças.

7) Nós preferimos morrer á se submeter perante alguém ou algo, e esse orgulho é o orgulho de Satan que simboliza nosso desafio e nossa energia de melhoria de vida¹.

8) Nós nos preparamos -através de nossa magia, dos nossos atos e  da nossa vivência - para a era de fogo (o Aeon dos Deuses Obscuros) que está por vir, quando nós alcançaremos as estrelas e os novos desafios elas irão nos trazer.

9) Nosso caminho é difícil e perigoso, é para aqueles poucos que ousam desafiar a matrix das formas (como a cristandade²) que reprime a potencialidade de nosso ser.

Como foi dito por Nietzsche:  ‘’quanto mais medíocre, fraco,  mais submisso e covarde um homem é, mais ele irá postular como mal: é com ele que o reino do mal é mais compreensivo. O homem ordinário (o mais desonrado) irá ver que o reino do mal lhe é hostil e proibido - em toda parte’’

‘’O homem mais poderoso, o criador, deve ser o mais maligno, uma vez que carrega seus ideais contra os ideais dos outros homens e os recria á sua própria imagem’’


1.’’life-enhancing energy’’(conservo aqui o termo original pela ausência de palavra que melhor a substitua).

2. na versão em inglês, é utilizado o trocadilho ‘‘crosstianity’’.


Tradutor: Temujin Ras Al´Ghul
Revisor: AShTarot Cognatus

- Ordem dos Nove Ângulos -

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

O ego oculto enganador


É um indício do estado lastimável de muitos caminhos ocultos - e das pessoas que o seguem - que há uma abundancia de desinformação, enganação, mistificação e cultivação de egos.

Considerando um caso típico: um homem jovem desenvolve um interesse nas artes ocultas, e avidamente procura informação e contatos. Livros e artigos são lidos, os contatos são feitos e talvez se junte a um grupo ou três. Logo, o homem jovem é parte da ´cena oculta´ e uma dessas três coisas geralmente ocorre: (1) ele aceita algum sistema ou pessoa, por um tempo e ele tenta seguir o que é esperado - então, depois de algum trabalho ´prático´, decide que isso não é o correto para ele e passa para outro sistema ou pessoa; (2) depois de um tempo quando ele acredita que alcançou seu objetivo (e portanto é um ´adepto´ ou ´Mestre` ou o que seja)  - geralmente depois de realizar alguns poucos rituais e um monte de conversa e encontro com outros; (3) após um curto período ou intermediário de cultivo e bajulação dos outros (e portanto auxiliando em suas intermináveis campanhas para ´salvar´ suas próprias reputações ao tentar descreditar outros via rumores e assim por diante), ele estabelece uma identidade para si próprio - exagerando suas próprias conquistas, conhecimento e contatos. Em resumo, ele é a perpetuação de valores e características do velho Aeon - contra o que o ocultismo em geral é suposto de estar alcançando.

Duas coisas são envolvidas nesse processo: o desejo (na maioria inconsciente e natural) de auto importância e auto delusão. Parte dessa auto delusão ocorre por causa da ´intelectualização do oculto´ - há muita conversa, muita aceitação do que os outros dizem (particularmente sobre os outros) sem conhecimento de primeira-mão, muita teoria e demasiada dominação do ego onde ´esperteza´ (particularmente nas palavras) é avaliado acima da experiência prática. Muita preocupação com o ´passado´ de alguém.

O resultado é quase inevitável (e uma perda de potencial do ocultismo) - o homem jovem não alcança um progresso real, nenhum insight real, nenhuma habilidade oculta real. Ele se tornou infectado com a ´doença oculta´. Ao invés de ir para dentro, para o selvagem, para perder todas as ilusões e desilusões e começar o caminho solitário e difícil para se tornar um Adepto pelo trabalho prático, onde a camaradagem de estar no ´conhecido´, de ´ser aceito´ ou trabalhar (na maioria de maneira intelectual ou pseudo intelectual) em um certo ´nicho´ e portanto se tornando auto satisfeito de uma maneira confortável. O oculto, portanto se torna um ´hábito´ ou um interesse - uma fonte de se auto parabenizar (talvez até mesmo de fonte de renda) e um lugar onde um ´papel´ é obtido e vivido. Pode se até realizar algum trabalho ´prático´ - mas o resultado final é a alienação ocultista tão familiar do passado recente e presente: comparecer a encontros (ou mais moderno, ´simpósio´ ou ´conferencias´), procurar por e espalhar boatos e rumores, escrever artigos e livros diletantes pseudo intelectuais (e talvez até mesmo editar uma revista) não de experiência direta, mas ao invés disso de ouvir dizer, de sua própria opinião e de aridez intelectual e esperteza. Ou, talvez ainda um plagiador desfrutando um sucesso exclusivo em seu grupo e da bajulação de amadores - ou um ´mestre/adepto´ auto eleito que pode precisar da mística de uma organização para mascarar sua falta de caráter ou carisma ou que pode estar tão auto deludido que ele realmente acredita que alcançou seu objetivo. E então novamente, nosso homem jovem pode se tornar uma dessas muitas falhas que circulam por aí na ´cena ocultista´- flertando de um grupo a outro, um ´mestre´ a outro, e falando, adorando (ambos ´deuses´ e ´mestres´) e falando novamente e acumulando uma massa de informação inútil, ´conhecimento´ e ´graus/graduações´


Apesar do interesse em anos recentes nas técnicas ou caminhos do ocultismo – apesar de todas as muitas palavras que foram escritas e faladas – houve pouco ou nenhuma conquista no nível pessoal: não houve aumento no número dos poucos adeptos que existem. Ao invés disso, quase o oposto ocorreu - um aumento na auto delusão, em glorificar o ego a custa de ganhar insight; um afastar da experiência efetiva para a glorificação da busca de sensações enfadonhas, intelectual e ´sem direção´, experiência de ´expansão mental`, temporária. Em resumo, houve menos verdadeira autodisciplina e mais estupidez e estimulação baseada no ego. O grau de adepto, e a sabedoria que reside além disso, é obtido por um processo difícil e vagaroso que requere auto disciplina e auto superação das dificuldades. Não há caminho que não tenha dificuldades e que não seja solitário - que não requer o descartar de todos esses adereços que muitos precisam para sobreviver: um dogma, amigos, ideias, companheiros, amantes, segurança material, ´mestres´... Não há poção para obter que quando bebida irá repetidamente dar insight ou sabedoria, nenhuma revelação repentina - de deus ou mortal - que irá insinuar sabedoria, nenhuma técnica para ser usada algumas poucas vezes na semana, nenhum ritual ou rituais que irá dar personalidade ou caráter ou autodesenvolvimento.


Esse processo requer anos e envolve certas maneiras de viver - e geralmente uma certa guia. Também requer o desejo de alcançar o objetivo, não desistir quando as coisas se tornarem difíceis ou confusas – uma persistência  para seguir o caminho escolhido até o fim.

O conhecimento oculto e o insight do individuo é demonstrado na maioria das vezes por seu comportamento - pela maneira que ele se relaciona com os outros. Mas esse comportamento não é a pretensão de algum ´papel´ (tal como de ´mestre´ ou ´guru´ ou o que seja) - ao invés disso, é genuíno e espontâneo, cheio de caráter individual: não é uma simulação nem uma pretensão. Isso é porque o conhecimento real e o insight está dentro, adquirido da experiência. Onde há uma falta de conhecimento real e falta de insight, há pretensão, artificio, a síndrome de "Eu devo preservar meu próprio ego por colocar os outros para baixo todos os outros", e o gargalhar inebriado do indisciplinado, maquina de discussão, constrangido. 

Nosso homem jovem irá fazer bem ao tentar encontrar uma guia de individuo que possua insight - e estar preparado para uma jornada longa e dura. Talvez então, em tempo um novo adepto irá surgir, e o ´Novo Aeon´ será trazido um pouco mais próximo.

Anton Long
Tradução: AShTarot Cognatus



- Ordem dos Nove Ângulos -

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

A canção de um Satanista

Stephen Brown, ONA 103yf
Traduzido por Diabolus Potentia
Revisado por AShTarot Cognatus


Modelo: Raiza Ishtar

Em um importante sentido, a maior parte de minha vida representa genuíno Satanismo em ação, indo a extremos, aprendendo da experiência destes extremos, e realizando atos obscuros, perigosos e por vezes “ilegais”.
Esta vida consiste em forte contraste com aqueles pseudo-satanistas, alguns dos quais adquiriram alguma notoriedade e ‘fama’. Eu tenho – como um Satanista deve – sido intoxicado pela essência da própria vida, que inspira que gera criatividade, auto-absorção e gênios em todos os grandes artistas, sejam eles músicos, escritores, guerreiros, exploradores ou o que seja. Eu tenho ousado sonhar e desafiar – e ousado tentar e transformar meus sonhos e inspirações em realidade. Eu tenho usado minha vida para um propósito me esforçando em objetivos com uma paixão que supera qualquer obstáculo. Eu conheci um grande amor – fisicamente, intelectualmente e na alma, na essência da existência. Eu também conheci o oposto – a tristeza que espera todos que se aventuram no lado negro e duro do Abismo interior e exterior. E na síntese destas e outras coisas está a compreensão da sabedoria.
 Essa vivencia tem sido a extática afirmação da existência, a auto superação. O objetivo que me esforço é irrelevante para a maioria: o que era importante era o esforço para algo com paixão. Para tal esforço, a ação no mundo então implicava nesse esforço, era a intensidade que captura o imortal e que representa o espírito do Satanismo: o desafio heroico que é a essência de toda consciência evolutiva e toda civilização.
Tal exultação é perigosa. Pela sua natureza, é individual. É um anátema a estas formas e estruturas que sugam vitalidade e pelas quais sua própria existência, nivela os indivíduos por baixa e quebra ou tenta quebrar, seu espírito. É heresia. É teste. Alguns se tornam possuídos, outros perecem, outros são quebrados em espírito e descem a mediocridade da maioria; outros são pegos e enlaçados por aqueles que aderem a estas coisas que sugam a vitalidade (tal como ‘religião’ e ‘lei’ e ‘ética’). Mas alguns sobrevivem e prosperam e então, inspiram outros a se aventurarem onde ninguém mais ousou ir antes. E nestes poucos que sobrevivem, há alguns que conseguem expressar em palavras ou outros meios (como música) o que eles sentiram, experimentaram e aprenderam, em uma forma a qual é facilmente compreendida. Estes são poucos e realmente perigosos...
Impressiona-me quando eu entro em contato com estes auto-professados ‘satanistas modernos’, pessoas que são parte de ‘Templos’ ou ‘Igrejas’ ou ‘Cultos’ ou trabalhando sozinhas. Com poucas notáveis exceções, estas pessoas são ridículas – para eles, Satanismo é uma filosofia intelectual, uma coleção de rituais e/ou atitudes anárquicas. Para eles, é um objeto de abordagem religiosa e atitude. Para eles, é uma glorificação de seus egos e afundar-se nos prazeres e indulgências que esta existência oferece: uma desculpa para a auto-indulgência e falta de disciplina.
Na realidade, Satanismo é a atitude de viver – uma atitude estranha a aqueles mais urbanizados que se professam Satanistas. Satanismo significa viver a vida de certa maneira – conquistando coisas, no mundo real pelos próprios esforços e exultando na existência de forma consciente. Ou seja, a vida é intencional – lutando para alcançar uma existência maior por meios práticos, superando desafios que trazem revolução a novos reinos. Um Satanista luta para mudar a si mesmo e então mudar o mundo ao redor. Eles desejam por glória, fama para serem significantes. Eles não estão nunca contentes, nem quando um objetivo é alcançado, pois é necessário achar e lutar por um novo objetivo, outra forma de viver. Sempre há outra experiência aguardando – novos níveis de conquistas.
Um genuíno Satanista precisa de ação, novos desafios, porque eles possuem em si o ‘Fogo de Satã’, que é a vitalidade e a quintessência da vida. Essa vitalidade é mostrada em seus olhos, seu caráter – e é evidente em suas ações.
Fundamentalmente, alguém se torna Satanista agindo como um – realizando atos Satânicos. Um Satanista de experiência poderia dizer um ou mais destes atos: “Eu tenho experimentado combate; eu tenho experimentado mortes; eu tenho visto camaradas morrerem. Eu tenho amado e odiado. Eu tenho descoberto algo pela primeira vez. Eu tenho ficado sozinho por meses, tenho abdicado de muita coisa, e então eu conheci a mim mesmo. Eu tenho encarado minha própria morte iminente, não uma, mas muitas vezes. Eu tenho alcançado objetivos com meu corpo que eu julgava impossíveis. Eu tenho exultado em superar desafios físicos, psicológicos e intelectuais. Eu conheço a paixão que motivou Beethoven, Van Gogh, Nietzsche e eu conheço os sentimentos e a grandeza de Caesar, Adolf Hitler e Alexandre o Grande. Eu tenho escutado a música da galáxia e as estrelas e planetas dentro dela. Eu tenho estado em uma cela de prisão e sei o significado da liberdade. Eu tenho limpado a escória humana. Eu tenho cometido atos criminosos – para aprender a desafiar. “
Mas claro estas coisas são somente exemplos – há muito mais. O que é importante é que elas expressam as experiências de um aprendizado realmente perigoso: elas criam caráter, elas testam. Elas são seletivas. Elas são o tipo de deveres realizados por indivíduos com espírito – o tipo de compreensão que um indivíduo possuiu, ainda que somente intuitivamente a princípio.
Um Satanista irá viver a vida no limite – irá conseguir uma profissão que permite a ele engajar-se em deveres de criatividade ou ação, ou ambos. Eles se tornarão experts em seus campos escolhidos - e estes campos irão naturalmente requerer pessoas de caráter e força interna que preferem trabalhar sozinhas. Campos como assassinato, Forças Especiais, manipulação Policial... E então, tendo alcançado, eles movem a diante – para novos deveres. Ou definharão e morrerão no fim.
Qualquer que seja sua qualidade de vida irá ultrapassar de longe a fraca maioria. Eles experimentam ambas as luz e trevas de forma mais profunda, mais extensiva e possuirão maior instinto e um maior entendimento, uma real profundidade de caráter.
Em contraste, os auto professados ‘satanistas’ serão vazios – somente palavras, com pouca ou nenhuma experiência real de viver no limite. Eles intimidam-se com reais esforços de auto-superação, e constroem mundos de fantasias nos quais encontram conforto. Eles precisam da companhia de outros, pois precisam que seu ego seja massageado pelo que eles chamam de ‘pares satânicos’. Eles falam muito com outros sobre Satanismo e provavelmente tendo aprendido somente teoria de livros e várias organizações, escrevendo seus próprios ‘ritos Satânicos’ os quais realizam com a alegria de um necrófilo.
Alguns destes habitantes de pseudo Organizações Satanicas e cultos irão se saciar em comportamento anárquico para impressionarem a si e aos outros. Mas ao fazê-lo eles revelam falhas em caráter – pois um genuíno Satanista possui a nobreza e autodisciplina que os outros falham em entender.
Imitações de Satanistas criam desculpas e teorias para explicar sua própria falta de feitos Satanicos no mundo real. Eles raramente, se alguma vez, mudam para algo maior após suas iniciações, e mais certamente não mudaram no mundo real de forma nenhuma, significante ou insignificante. Eles não alcançaram nenhuma glória – descobriram nada novo, não alcançaram nenhuma fronteira de entendimento nem de um micro. Ao invés disso, engoliram doutrinas obscuras e consumiram a droga da auto-ilusão. Para ser breve, eles não compuseram nenhuma canção Satânica que ilustre sua vida. Seu trabalho foi em vão. Poeta nascitur, non fit
A maioria dos Satanistas não poderia publicar uma autobiografia ou nem uma biografia que relate sua vida em detalhes enquanto estão vivos, pela simples razão de que renderia a eles um processo por parte dos guardiões deste mais estúpido sistema de ‘Lei’*. Se esta ameaça não existe, então a vida deles não foi satânica o suficiente. E, ainda mais, esta vida nunca estará completa até que a morte causal – algo que escrito a certa idade deve estar desatualizado poucos anos depois. Se não, então novamente, a completa promessa Satanica da existência não foi totalmente completa. O tempo da publicação de tais escritos deve ser após a morte causal de seu sujeito, ainda que uma versão expurgada possa servir como propósito, para que algumas experiências que se deseje expressar a essência, para que outros possam vir a superá-las. 
Em meu próprio caso, tenho escrito uma curta coleção de algumas experiências de minha vida Satanica, para publicação póstuma. Mas mesmo nesse MS, há algumas coisas não lembradas, para a chance deste MS cair nas mãos erradas antes do tempo certo. Tais lembranças – de feitos obscuros e ocasionalmente extáticos, por maioria ‘ilegais’ e todos eles ‘heréticos’ nesta sociedade cega – terão que esperar meu crepúsculo dos anos para serem recontados a camaradas Satanistas confiáveis. E mesmo este MS tendo sido escrito a apenas dois anos atrás, ele já está desatualizado...  
E nessa vivência, é a essência que é importante, não especialmente os detalhes. Dessa vivência, eu tenho destilado a quintessência em mundos que não podem ser compreendidos – desenvolvendo um método pelo qual outros podem obter um elixir. Eu tenho construído um guia para o objetivo, um mapa e explicado o objetivo em detalhes, porque eu tive lá. Eu explorei e descobri.
Agora, outros podem se beneficiar das lições aprendidas em uma vida. Non generant aquilae columbas.
Enquanto isso, eu antecipo as mentiras, rumores e distorções que continuarão baseadas em inveja. A pequenez e fraqueza de caráter tem sempre parecido sugar aqueles que estão abaixo do nível de mediocridade – ao menos aos olhos dos outros.



*Além do fato de que a maioria deles deseja continuar seu trabalho sinistro esotérico em segredo, para auxiliarem na dialética sinistra.

- Ordem dos Nove Ângulos -

sábado, 2 de maio de 2015

Vampirismo Narayana revelados dentro do Vaisnavismo

Ensaio por Emperor Norduk do “Tempel Azagthoth”, Principalidade da “Society of the Dark Sun”
Uma das mais velhas e mais completas filosofias e épicos da criação existe nos escritos sagrados da Índia, chamado os 'Vedas'( literalmente 'Conhecimento'). O mais importante desses sendo o Mahabharata, que é principalmente um épico histórico – e depois o Bhagavad Gita, que é chamado a “jóia” do conhecimento espiritual da Índia. Eles chamam o Bhagavad Gita um 'jóia' por boa razão, pois em nas paginas do Bhagavad Gita está uma grande quantidade de conhecimento espiritual. Ele existe até hoje como um dos mais minuciosos e completos textos religiosos antigos já transcritos.
Surpreendentemente, entre aqueles que percorrem os Caminhos Sinistros, tenho visto que há muito pouco estudo publicado relativo ao Bhagavad-Gita e Vaisnavismo-o Culto que surgiu a partir de seu texto (dentro de sua forma original Sinistra, que persiste até hoje) . Desta maneira, vou procurar explorar apenas alguns dos arquétipos sinistros dentro da tradição védica, e em específico, os Vaisnavas. Vamos agora começar a explorar a origem vampírica da linha de pensamento Védico. Vaisnavas são muito mais rigorosos, e monoteístas nas maneiras que um hindu regular. A bhakti-yogi Vaisnava (aquele que pratica bhakti-yoga, a ciência suprema de relacionamento com a Divindade, como ensinada dentro do mundo Védico) iria ver como um desperdício de tempo na maioria dos casos oferecer reverencias perante os semideuses, quando se poderia ao invez ter comunhão com Krishna - que seria visto paralelo dentro Vampirismo como o sangue original que forjou o universo. Dentro do Vaisnavismo, Krishna é considerado o ser supremo. Ele é a Suprema Personalidade de Deus, e de seu corpo emana todo o universo. O Bhagavad-Gita diz que na verdade existem vários universos dentro do corpo de Krishna. Quando nós, enquanto aqueles de uma inclinação instintiva começarmos a interpretar o Bhagavad-Gita através de Krishna representando o nosso próprio eu-deus, temos um vislumbre claro sobre a natureza do estado escuro interior de nossos seres além de nossa própria mundana percepção física. No entendimento dessa conexão, é importante saber que a manifestação etérea de nossas ações não é a origem das próprias ações. Quando se tenta interpretar antigos ensinamentos em uma modernizada linha de pensamento Oculta, e então começa a interpretação do eu superior como um deus exterior (pensando que as verdades do self são produtos do ego), então muita confusão entra em jogo. Nosso tratado sobre a natureza vampírica do Vaisnavismo baseia-se no Vampirismo, e nada mais. Vampirismo realisticamente em todos os sentidos é derivada das antigas Suméria e Babilônia. Antes do caminho da mão direita e esquerda surgirem, houve Vampirismo. Antes de símbolo Helênico de Satan, houve o Vampiro também. É um conhecimento básico que deve ser entendida que o vampirismo é um caminho mais antigo do que o que é largamente popular hoje, por isso o cúmulo da loucura sistematicamente subestimar a natureza do Vampirismo através de uma obsessiva consciência mortal. Procuramos voltar ao funcionamento primitivo do eu, para restabelecer a ligação perdida com o que é a Divindade e além.
Krishna (como a Superalma) pode ser visto como o ser do Sombrio. O Sombrio é um termo usado em práticas vampíricas superiores - designando a consciência interior, ser caótico original e mente astral que se manifesta no estado desperto do vampiro. Sombrio dentro do Reino Sombrio é a primeira de três independentes partes de funcionamento do ser do Vampiro. Dentro destas três partes do ser, há três realidades - cada uma dessas realidades nomeadas por um dos três reinos da existência. Na realidade exterior do Reino Sombrio (o primeiro reino), o Sombrio terá uma forma visível. Este tem sido descrito como "uma existência sombra" dentro ensinamentos da SDS. Krishna é uma designação da forma do Sombrio dentro da realidade exterior do Reino Sombrio. Como o ser caótico original, ele tem sido referido nos textos védicos como a Superalma. A Superalma é a parte dos indivíduos que está alinhada com o ser universal. Essa Superalma se manifesta (visualmente) dentro do Culto Vaisnava como Sri Vishnu. Sri Vishnu na maioria das vezes se manifesta como um lindo macho de cor azulada, com quatro braços. Em suas varias mãos ele segura (entre outras coisas) flores, bem como uma clava para combater demônios (mais sobre o conceito védico de 'demônios' virá depois). Vendo a essência caótica que fez nascer o indivíduo como um arquétipo tal como Krishna é somente uma interpretação. É nos níveis de consciência e percepção que se pode perceber essas coisas, não se pode guardar um furacão em uma caixa. A verdade da condição Vampírica e estado desperto existe em agir através dos mandatos do ser divino interior. Se alcança o poder quando não há contradições internas, é o melhor experimentar o Sombrio por ação, não por especulação.
Há um paralelo entre a manifestação visual da Superalma (dentro de Cultos Vaisnavas) e a manifestação visual da realidade exterior da mente astral do vampiro {a verdadeira forma não tem substância visível aos olhos treinados, sendo o estado astral original e puro do ser individual). Os ensinamentos vampíricos citados aqui são aqueles que estão sendo colhidos a partir dos ensinamentos da antiga Babilônia. A mais qualificada organização sobre Vampirismo que eu encontrei que é baseada na manifestação original (terrena) do Vampirismo na Suméria, Babilônia, e países antigos em volta é a Sociedade do Sol Negro. Aqueles que estão interessados neste grupo podem consultar em seus escritórios, os quais eu dei o endereço no final deste artigo.
Vamos agora dar uma olhada nas Vaisnavas, o culto Hare Krishna. Nós podemos ver a manifestação de vampirismo e o caminho alquímico, buscando a evolução espiritual individual é o principal objetivo do Hare Krishna. Eles se sustentam através do alimento espiritual, chamado prasadam. Prasadam é o alimento que é oferecido primeiramente na frente das deidades. Todos os Vaisnavas dedicados oferecem toda a sua comida perante as estátuas das deidades (o mais comum são as de Krishna e Radha, que estão dentro do Templo em si) ou a uma imagem de Krishna dentro de suas casas. Os lugares que a semente do vaisnavismo vai melhor frutificar para a maioria das pessoas, são os templos Vaisnavas ou comunidades. Estes estabelecimentos são os mesmos que Mosteiros dentro da religião cristã em muitos aspectos, no entanto, eles geralmente apresentam uma atmosfera mais interessante para o ascendente Magicko/Vampiro Negro. Vaisnavismo é uma muito velha e antiga tradição. Esta tradição foi revivida pelo Senhor Caitanya em Bengala, durante período de 1500. Isto é quando o movimento Sankirtan se originou, Sankirtan é o canto do mantra (ou chamado 'Mahamantra' dentro do sânscrito, literalmente "grande mantra"), que é: Hare Krishna Hare Krishna Krishna Krishna Hare Hare Hare Rama Hare Rama Rama Rama Hare Hare . Devemos notar a ingestão de alimentos somente se primeiro oferecidos para Krishna dentro da religião Vaisnava. É ensinado nos textos antigos dos Vedas que este alimento é cozido apenas para Krishna, e que os devotos podem comer apenas os restos da comida. A comida se torna literalmente espiritualizada, e injeta a pessoa que come em "Consciência de Krishna". Nós, que somos vampiros realizados, reconhecemos isso como um fluxo de sangue literal do sangue coletivo do culto Vaisnava, chefiada pelo Vampiro Narayana (existem diversos significados para esta afirmação), para a pessoa que consome alimento. Nós, que somos vampiros acreditamos que o sangue é a forma consciente por trás de toda a existência, esta é a substância que nós nos alimentamos e subsistimos nosso trabalho mágico, este é o material que causa a Divindade, em primeiro lugar. Substância de sangue físico para nos é útil, mas na verdade é o resultado do sangue astral fluindo em substância caótico (causando substancia material). Por desenvolver nossos reais sentidos astrais e consciência, vampiros realmente começam a participar deste alimento espiritual diretamente. Isto é referido brevemente em muitas tradições, e é realmente a "arte secreta" de sucesso no caminho evolutivo. (A peça aparentemente não relacionada aqui, mas útil, sublinhando o meu ponto sobre a importante natureza astral de alimentação de sangue. Aqui do "Confessions of Aleister Crowley" página 525 e 526, capítulo 59 sobre a iniciação de Crowley nos “Secret Chiefs of the Third Order). "Ainda depois, por um forte esforço de vontade, eu bani minha garganta inflamada e meus arredores, e subi para meu corpo de luz. Cheguei numa sala em que uma mesa cruciforme foi espalhada, um homem nu que está sendo pregado a mesma. Muitos homens veneráveis sentados em volta, deleitando-se em carne viva e bebendo seu sangue quente em grandes goles. Estes (me disseram) eram os adeptos, a quem eu possa um dia se juntar. Isso eu entendi significar que eu deveria obter o poder de tomar apenas espiritual alimento, mas provavelmente isso significa muito mais que isso. "
O Sinistro Senhor Nrsimhadeva
Na canção ao Senhor Nrsimhadeva (que é cantado todas as manhãs nos templos Hare Krishna em todo o globo), a forma humanóide com cabeça de leão do Senhor Krishna aparece para o Demônio Hiranyakasipor para matá-lo. Demônio não é visto dentro de Hare Krishna como os povos ocidentais identificam demônios, mas sim como homens ímpios que sãignorantes e ignoram a sabedoria Védica. Portanto, neste sentido, estamos falando sobre nossas pessoas comuns. Eles são ignorantes que impediriam o iluminado. É um significante passo acima na escada para longe do cristianismo, mesmo com algumas das conotações aparentemente moralistas deste culto. Não há realmente "bom" e "mal" no sentido regular, mas sim "sabedoria" e "ignorância" (ou "verdade" e "ilusão"). No Bhagavad-Gita, há explicações explícitas dos modos da natureza material, o fato de que emaranhamento/confusão material deriva de estar aterrado pela cintilante potência externa de Krishna. Isto tem importantes laços com o Vampirismo. É uma verdade dentro de vampirismo que se o vampiro perde contato com sua natureza interna caótica, sua existência será desintegrada. Aqueles que perdem o toque com a sua caótica essência interior (OSombrio, Krishna) certamente serão "sacrifício" para as forças consumidoras do mundo Causal. O mortal é cego para as funções do reino astral, as experiências dentro de sua natureza etérea cega-os à consciência adicional. Vampirismo é assustador, porque ele é baseado em uma ação de própria criação. Separação e funcionamento em ambos os reinos, crescendo através de impregnar o Vampiro com essência sanguínea, criando realidades perpétuas dentro dos estados astrais e etéreos de consciência. Essas coisas são produtos do Sombrio, o ser no Abismo de puro sangue do Vampiro.
O Bhagavad-Gita contém uma mina de conhecimento espiritual e não deve ser negligenciado. Quando começamos a interpretar Bhagavad-Gita de acordo com sua origem Vampírica, começamos a ver que uma verdade sobre o estado interior em relação ao estado exterior é revelado. A linguagem poética e conteúdo aprofundado geral do Bhagavad-Gita fornece muito insight para o Vampiro e um credo impecável para os religiosos. Aqui está uma fórmula real para a entrada no estado interior sombrio do Gita. "Quando o ser vivo encarnado controla sua natureza e mentalmente renuncia todas as ações, ele reside feliz na cidade de nove portais (o corpo material), sem trabalhar nem causar danos. O espírito encarnado, dono da cidade de seu corpo , não cria atividades, nem induz as pessoas a agir, ou ele criar os frutos da ação. Tudo isso é decretado pelos modos da natureza material. Nem o Senhor Supremo aceita as atividades pecaminosas ou piedosas de ninguém. Seres encarnados, no entanto , são confusos por causa da ignorância que cobre o seu conhecimento real. " O estado interior, através da força do sangue e da vontade, move a natureza etérea em ser. A partir desse ponto de origem vem a força que age, mas a força em si não é participante ativo. Krishna como o estado interior, é o "diretor" das atividades da natureza material do vampiro. Suspensão das atividades físicas, fornece uma porta de entrada até os poderes do astral. Silenciando o fluxo interminável de pensamentos na mente enquanto nos estados físicos, fortalece os desejos do vampiro e desta forma fortalece em ambas as naturezas etéreas e astral de uma forma reciproca, apoderada pela essência sanguínea pura do universo.
Krishna em sua forma de Nrsimhadeva, como outros arquétipos Sinistros, possui uma lenda em torno do prudente cuidado nas relações com esta forma. A visão que nós na maioria das vezes vemos Nrsimhadeva nestes dias é a sua forma de Ugra-Nrsimhadeva (ou seja: sua forma violenta). Vaisnavas identificam especificamente Nrsimhadeva enquanto uma forma de Krishna como 'o ponto de origem "da existência de seres sencientes. É bastante interessante que a forma mais violenta de Krishna significa também a sua manifestaçãcomo a origem. Uma criação da vontade a partir do caos dá origem ao ser consciente. Há apenas uma estátua da divindade em tamanho natural de Nrsimhadeva que é conhecido sobre a terra, que está localizado em Mayapur, Índia. Durante os primeiros anos da Sociedade Internacional para Consciência de Krishna, o culto Vaisnava mais organizado e influente, eles procuraram por toda a Índia para encontrar alguém para construir uma estátua de Nrsimhadeva em sua forma violenta de Ugra-Nrsimhadeva. Eles finalmente encontraram uma pessoa para fazer isso.
De acordo com a tradição daqueles que constroem estátuas de deidades, a última parte a ser adicionado à estátua são os olhos. Os olhos são considerados como realmente contendo o "espírito" da estátua, e uma vez que os olhos são construídos na estátua, substância física que é impregnada com a energia do Deus para o qual foi construído. A estátua de Nrsimhadeva foi construída em um grande galpão atrás da residência do artista. Finalmente, a estátua foi concluída. O artista saiu para executar algumas tarefas, e quando ele voltou, ficou horrorizado ao descobrir que o galpão inteiro tinha queimado até o chão. Mas estando no meio, entre as ruínas fumegantes, estava a estátua sorridente de Nrsimhadeva, que saiu ilesa. O artista rapidamente ligou para os devotos Hare Krishna e insistiu com eles para que por favor levassem a estátua, ela estava perturbando ele mentalmente e tinha destruído sua oficina.
Nrsimhadeva aparece em particular mais feroz do que qualquer das outras figuras que eu conheço de dentro da cosmologia Védica. Como uma verdadeira forma de Krishna, há muitas implicações. Mesmo as raças mais ferozes de seres malignos, aqueles seres cuja função é a punição dos seres humanos (estes são referidos como o "Yamas" e são liderados por Yamaraja, que é mencionado como sendo um grande devoto de Krishna, embora a maioria de suas atividades são avaliadas como "pecaminosas"), são parte de Krishna. Chegamos a uma compreensão de uma implícita verdade alquímica. A alquimia, é a ”arte da transmutação", é um processo de evolução sobre o eu (o fato de que a criatura evoluída influencia seu ambiente é secundário, uma ação natural). Conectando-se com esta verdade do eu interior é o objetivo do Vaisnava e yogi {yoga é muito mais do que exercícios físicos, é uma ciência e função continua de quem a pratica}.
Para alguém digerir os ensinamentos de Narayana em uma perspectiva prática e viável, é preciso mudar a sua própria consciência e reunir uma maior consciência para perceber. Nãolhe uma vez, não olhe duas vezes, olhe várias vezes sobre qualquer coisa que você pode ler ou estudar. Não só isso, você deve também manter os ensinamentos que foram revelados a você em sua mente e aplicar e testá-los em situações reais e através de experiências reais. Assim como todos os textos antigos, os segredos permanecem fechados para aqueles que não têm ouvidos para ouvir. Até mesmo alguns que pensam que ouvem, podem interpretar tudo em um sentido distorcido. A partir desta loucura vem o produto interminável de religiões e caminhos místicos, cada um tão igualmente iludido quanto o outro mas cada um chegando em direção de uma verdade em comum. Haverá sempre aqueles que estão na consciência mortal, pois deve haver alimento para os seres superiores do universo. O vampiro não deve ser confundido ou cegado pela fome sem fim da humanidade, chegou a hora de você se levantar como predador e deixar de ser presa. Afirme: eu sou um Vampiro, eu sou Deus, e daquele ensinamento comece a procurar as verdades alquímicas. Domine o controle do eu, seja adepto da magicka interna, e o caminho vai levar para o domínio sobre outras coisas.

domingo, 26 de abril de 2015

Julius Evola - O marquês de Sade e a Via da Mão Esquerda



    Ao falarmos de sadismo distinguimos em certos indivíduos nervopatas ou tarados um sadismo aberrativo necessitando da crueldade como afrodisíaco psíquico para obterem satisfação sexual, de um sadismo considerado como elemento natural do eros, que pode ser ativado para lá dos limites habituais.
    Necessário será, contudo, estabelecer duas outras distinções. Devemos, em primeiro lugar, distinguir o sadismo de fundo sexual no sentido lato da palavra, em que é possível faltar a relação com o sexo e com a mulher, ou surgir então de um modo subordinado, sendo o fator essencial constituído pelo próprio prazer do mal e da destruição, em todas as suas formas. Deve considerar-se absolutamente infundada a dedução genética entre este segundo sadismo e o primeiro, isto é, de um fato sexual, dedução que é corrente em algumas psicologias e sobretudo na psicanálise. O sadismo mesmo tomado no seu sentido genérico, pertence a uma categoria mais vasta e importante que compreende fenômenos assaz complexos e se define, em última instância, por uma  orientação existencial elementar. Para esclarecermos este ponto será, contudo, necessário desbravar o terreno, fazendo uma outra distinção, quer dizer, opondo às experiências que embora liminais e problemáticas conservam um carácter puro, o artificialismo próprio àquilo que, de um modo geral, se deve chamar perversão. Há perversão quando se sente prazer em praticar determinados
actos simplesmente pelo fato de serem interditos e por serem, segundo uma dada moral, considerados como o «mal» ou como «o pecado». O próprio sadismo pode apresentar esta fisionomia. São significativas as expressões de Baudelaire a este respeito: «a voluptuosidade única e suprema do amor consiste na certeza de praticar o mal. O homem e a mulher sabem desde que nasceram que é no mal que se encontra a voluptuosidade (1). Tudo quanto contém de «perverso» aquilo a que se chama o decadentismo do século XIX (em parte Byron, depois Baudelaire, Barbey d'Aurevilly, Oscar Wilde, Villiers de L'Isle-Adam, Swinburne, Mirbeau, etc.) apresenta este lado artificial: não é senão literatura e cerebralidade. É quase como o que sucede com as crianças, que sentem prazer em praticar um ato somente porque representa o «proibido» e porque tem o caráter de uma transgressão. Isto pode, contudo, atuar para alguns como um afrodisíaco — e Anatole France tem razão ao escrever, baseado em idéias semelhantes, que o cristianismo favoreceu muito o amor ao considerá-lo
um pecado. Podemos incluir neste quadro o cenário exterior e blasfematório das
missas negras e do satanismo, tal como chegou ao conhecimento do pequeno público através de obras como as de Huysmans. É este o quadro do decadentismo. Trata-se presentemente de avaliar o sadismo, no sentido geral acima indicado, segundo esta medida. Iremos, assim, referir-nos diretamente àquele que deu o nome a esta tendência: o «divino marquês» Alphonse François de Sade (1740-1814).

 1 Oeuvres posthumes, pág. 78.

    Ao considerarmos este personagem, certos traços seus levam-nos a pensar que o seu sadismo teve principalmente o caráter de uma simples perversão intelectual. É verdade que Sade, apesar da sua posição social, caiu mais de uma vez sob a alçada da lei e foi forçado a abandonar a França durante um certo período, mas aquilo que lhe pode ser imputado está muito afastado de todos os horrores descritos nos seus livros. Acresce ainda que, tendo vivido durante o período do Terror da Revolução Francesa, não se aproveitou de modo algum das oportunidades excepcionais que esta época poderia ter oferecido a um ser ávido de sangue e de crueldade; Sade expôs-se, ao contrário, a sérios perigos para furtar à guilhotina alguns dos seus amigos e parentes. Os dois amores principais da sua vida foram completamente normais: o amor pela esposa da qual se separou (mas não derivado a abusos sádicos) e, seguidamente, o amor por uma irmã desta, à qual se uniu. O seu «sadismo» foi, pois, essencialmente cerebral, isto é, imaginário, limitando-se às descrições das obras por ele escritas quase como compensação mental da vida solitária que passou na prisão e na casa de saúde de Charenton, onde Bonaparte o fez encerrar, embora essencialmente são de espírito, não devido a fatos reais de perversidade cruel, mas porque tinha escrito contra ele um panfleto, que este não lhe pôde perdoar. As muitas mulheres que o amaram tentaram obter de Napoleão a libertação do «pobre
marquês» (2).

2 Sobre este assunto cfr. A. DÜHREN, Der Marquis de Sade nod seine Zeit, Iena, 1901.

    A análise das obras de Sade não nos fornece um quadro unitário. Os escritores franceses que recentemente o redescobriram e valorizaram quiseram ver nele sobretudo o defensor do homme nature! ou homme réel, isto é, o homem que se insurge contra tudo o que existe na integralidade dos seus instintos: o que nos faria chegar a um plano bastante insípido. Por outro lado, encontram-se sintomas de curiosos resíduos moralizantes, pois não se explica, por exemplo, como Sade pode usar com freqüência o termo infâmia para designar as ações nefastas cometidas por um ou outro dos seus personagens. Se considerarmos seguidamente a narrativa romanceada de fatos realmente sucedidos chamada «La marquise de Gange» não somente deparamos com uma descrição do sacramento da confissão e da penitência dignas de serem inscritas num manual religioso, como nos é revelado um moralismo que junta à prova da falsificação da verdade dos fatos a apresentação de um dos culpados ferido por um castigo divino, em lugar de o subtrair à lei e fazer viver feliz até à morte.
    Precisamos, até certo ponto, de «isolar» nos escritos de Sade, uma dada linha de pensamento se quisermos obter uma visão geral da vida que sirva de fundamento filosófico ou de justificação ao «sadismo». Referimo-nos à idéia de que a força predominante do universo é a do «mal», da destruição, do crime. Sade admite a existência de um Deus criador que governa o mundo, mas que o faz como um Deus malvado, como um Deus cuja essência é o «mal» e que se compraz na maldade, no crime e na destruição, utilizando-os nos seus desígnios como elementos essenciais (3). Esta é a razão pela qual a lei da realidade seria, neste caso, o excesso do negativo sobre o positivo: a natureza mostra-nos que não cria senão para destruir e que a destruição é a primeira das suas leis (4). Porém, uma vez reconhecido este fato, impõe-se uma inversão de todos os valores: o elemento destrutivo e negativo deve ser reconhecido como elemento positivo, como sendo aquele que é conforme, não só à natureza, mas igualmente à vontade divina, à ordem (ou melhor, à desordem) universal; e aquele que, ao contrário, segue a linha da virtude, do bem, da harmonia deveria ser considerado como pertencendo ao partido dos adversários de Deus.
    Uma outra conseqüência lógica será que o vício e o crime, tornando-se conformes à força cósmica predominante, sairão sempre vitoriosos, felizes, recompensados e sublimes, enquanto a virtude se sentirá frustrada, castigada, infeliz e marcada por uma impotência fundamental (5). A estes fatos poderemos juntar o tema sádico propriamente dito, a voluptuosidade, o êxtase que está ligado à destruição, à crueldade e à infração. «Duvidar de que a felicidade máxima que o homem pode encontrar sobre a terra não esteja irremediavelmente ligada ao crime é, verdadeiramente, como se se duvidasse que o sol é o principal estímulo da vegetação» escrevia Sade (6) e acrescentava: «Que ação voluptuosa constitui a destruição! Não existe êxtase semelhante àquele que se goza entregando-nos a esta divina infâmia!» (7) O prazer de uma ação destruidora que desejaria infringir as próprias leis da natureza cósmica (8) associa-se, por fim, a uma espécie de teoria do super-homem. «Nós somos deuses!» exclama um personagem dos seus romances.

3 DE SADE, Juliette, ou les prospérités du vice, ed. 1797, II, págs. 314-350: Existe «um Deus que criou tudo quanto vejo, mas para o mal; ele não se regozija senão com o mal, e o mal é a sua essência... Foi no mal que criou o mundo, é por meio do mal que o mantém, é através do mal que o perpetua; é impregnada de mal que a criação deve existir... Eu vejo o mal eterno e universal no mundo... O autor do universo é o pior, o mais feroz, o mais horrível de todos os seres. Continuará, pois a existir após todas as criaturas que povoam e ste mundo; e é a ele que todas voltarão. Citação de M. PRAZ, «La carne, la morte e il diavolo nella letteratura romântica», Milão-Roma, 1930.
4 DE SADE, Justine ou les malheurs de la vertu, I.
5 DE SADE fala de um «extravio na senda da virtude» e acaba por afirmar que «sendo a virtude
um modo contrário ao sistema do mundo, todos aqueles que a praticam podem estar certos de
sofrer tormentos terríveis pela dificuldade que terão em entrar no seio do mal, autor e regenerador de
tudo». (Juliette, II, 345-346).
6 Justine, II, 117.
7 Juliette, II, 63.
8 Justine, Iv., 40-41.

   
Embora predominem as situações de sadismo sexual, esse sadismo torna-se um simples episódio relativamente à concepção geral que se apresenta como uma aberração, se a considerarmos separadamente; cessa de o ser se a libertarmos do seu caráter perverso e se a transportarmos para um horizonte mais vasto. O lado perverso encontra-se, em Sade, em tudo quanto é prazer pela transgressão, pelo mal propriamente dito; o que, se analisarmos minuciosamente a idéia central da sua filosofia, implica entre outras coisas uma verdadeira contradição. Falar de mal e de transgressão, tomar como tal determinados atos não tem, com efeito, sentido, se não pressupusermos a existência de uma ordem positiva, de uma lei reconhecida, enquanto que, como já vimos, para Sade esta ordem e esta lei não existem, uma vez que o mal constitui para ele a essência de Deus e da Natureza. Está certa a afirmação de Praz (9) a este respeito, pois ao querer gozar o prazer da transgressão e da violência contra o que está estabelecido o sádico não teria outra hipótese senão a prática da bondade e da virtude, porque elas significariam justamente a antinatureza e o anti-Deus e portanto uma revolta e uma violência contra aquilo que, segundo esta premissa, constituiria o fundo último — maldoso — da criação. Com efeito, todo o «satanismo», para poder assim ser considerado, supõe o reconhecimento íntimo e inconsciente do caráter sagrado e da lei que está a ofender; não pode, assim, ser considerado sadismo senão de um modo subtil, como o do prazer de violar algo ao atuar de uma dada maneira e a que a nossa consciência se opusesse. Existe uma diferença essencial entre praticar um ato que consideramos mal ou pecado (como outros pela mesma razão o não fariam) e praticá-lo por não acharmos nem mal nem pecado. Aquele que age positivamente e não por espírito de polemica, não falaria até de «mal», «pecado» ou «transgressão»; não encontraria em si próprio qualquer ponto de referência para dar a estas palavras algum sentido. Seria simplesmente aquele que se identifica como uma das forças que atuam no mundo (10).

9 Op. cit., pág. 104.
10 Um tipo de sádico não cerebral, mas autor efectivo de atrocidades e perversidades inauditas, foi o marechal Gilles de Rais, que já tinha combatido sob as ordens de Joana d'Arc. A parte o facto de se apresentar como uma espécie de obcecado, até ele morreu em perfeita contrição. Oscar Wilde, apólogo da perversidade, arrependeu -se na prisão por tudo aquilo a que na prática ela se reduzia em si próprio: a um homossexual com fo rtes tendências estetizantes — enquanto que o seu heroi Dorian Gray, nos parece agir continuamente sabendo que faz mal, reconhecendo, apesar de tudo o oposto como o bem.

    Será necessário indicar, neste ponto, a possibilidade de horizontes assaz diferentes para experiências idênticas, e fá-lo-emos retomando aquilo que já dissemos acerca da metafísica da dor. Sade não foi o primeiro a pôr em evidência o sentido e a extensão que tem no mundo o elemento destruidor, procurando deduzir daí o fundamento de uma espécie de contra-religião; as suas idéias tomam um caráter especial unicamente através da unilateralidade e da «perversidade». Deveremos, numa concepção completa, distinguir três aspectos da criação: a potência que cria, a potência que conserva e a potência que destrói, correspondendo à conhecida tríade hindu: Brahmâ, Vishnu e Shiva. Encontramos, em termos teológicos abstratos, a mesma tripartição na
idéia ocidental da divindade, considerada segundo a sua tripla função de criar,
preservar e fazer voltar ao seu seio aquilo que criou. Contudo e sob determinados aspectos, ou seja, do lado dinâmico e imanente, esse fazer voltar ao seu seio poderia também equivaler à destruição, à função de Shiva, se na divindade se reconhecesse o infinito, aquilo que na sua essência transcende toda a coisa, toda a lei, tudo o que é finito. E nesta base que se pode definir aquilo que se chamou a «Via da Mão Esquerda», o vâmâcârâ tântrico (11). No Ocidente o antigo dionisismo pré-órfico, a religião de Zagreus como o «grande Caçador que tudo destrói», e no Oriente precisamente o Shivaismo e os cultos ligados a Kâlî, a Durgâ e a várias divindades terríveis, que é possível encontrar em outros povos, foram igualmente caracterizados pelo conhecimento e pela exaltação de tudo o que é destruição, transgressão, e furor. Também eles conheceram o êxtase libertador que pode provocar tudo isto, muitas vezes através de uma relação íntima com a experiência orgíaca: porém, ao contrário de Sade, sem qualquer vestígio de transgressão sacrílega e dentro de um quadro ritual, sacrificial e transfigurante.
    Num conhecido texto que, na índia, tem quase a importância e a popularidade de uma Bíblia, o Bhagavad-gitâ, -nos apresentada em termos rigorosamente metafísicos e teológicos a essência da «Via da Mão Esquerda». Diz-nos esse texto que a Divindade na sua forma suprema (na «forma universal» que, por um privilégio especial é revelada durante uns breves instantes ao guerreiro Arjúna) não pode ser senão o infinito e este não pode representar senão a crise, a destruição, a fratura de tudo o que tem um caráter finito, condicionado, mortal: quase como no caso de uma voltagem muito elevada que fulmina o circuito em que foi inserida. Deste modo, pensa-se que o tempo, compreendido como a força que altera e destrói, encarna de um certo modo, este aspecto de transcendência da divindade. Contudo, a conseqüência é que, justamente no momento das crises mais destrutivas, se pode, de súbito, manifestar a realidade suprema, a grandeza aterradora que transcende todas as manifestações. E interessante observar que este ponto de vista não é exposto no texto que acabamos de citar para justificar o mal ou a perversidade, mas sim para fornecer uma sanção metafísica ao heroísmo guerreiro contra qualquer humanitarismo ou sentimentalismo. O próprio Deus exorta o guerreiro Arjûna a não hesitar em combater e ferir. «Aqueles que vais matar» — diz-lhe — «já estão mortos em mim: tu não és senão o instrumento (12).» No seu ímpeto heróico, que não deve ter em consideração nem a própria vida, nem a de outrem, e que irá atestar a fidelidade à natureza própria a quem nasceu de casta guerreira, Arjûna será o reflexo da própria potência, grandiosa e terrível, da transcendência que tudo quebra e tudo altera, fazendo pressentir a libertação absoluta (13). Foi baseados nestes fatos e na existência de uma tradição correspondente devidamente confirmada, que juntamos ao número de modos de embriaguez divina ou de «mania» de que fala Platão, uma outra, com base heróico-guerreira propriamente dita, e que ele não considerou. Devemos, finalmente, ter em mente que este estado de exaltação ativa e transfigurante deveria também existir e evidenciar-se nos momentos supremos da experiência sacrificial, nos executores de sacrifícios sanguinários, especialmente se eram praticados sob o signo de divindades terríveis como as que indicamos.

11 Sobre a Via da Mão Esquerda cfr. J. EVOLA, Lo Yoga della Potenza, Roma, 1968.
12 É a contrapartida do que afirmou DE SADE (Justine, II): «Se a destruição é uma das leis (da
natureza), então aquele que destrói obedece-lhe.»

    É possível encontrar em Novalis o último eco desta tradição. Referimo-nos já ao fato de este autor se ter apercebido do fenômeno transcendente que pode estar escondido no sofrimento e até na doença. Segundo ele, foi com o «mal» que apareceu na natureza a liberdade, o livre arbítrio. «O homem pecou quando se quis tornar Deus.» A causa da caducidade, da alteração, até da morte, encontra-se no espírito, no fato de a natureza estar ligada ao espírito tomado como um para-alémda-natureza, de uma força transcendente para além do finito e do condicionalismo. Estes fenômenos «negativos» não atestam, pois, o poder da natureza sobre o espírito, mas sim o deste sobre a natureza; «o processo histórico é um braseiro», diz Novalis, «e a morte pode talvez representar o limite positivo da transcendência de uma vida para além da vida» (14). Podem citar-se, também, as palavras de Schlegel: «E. somente no entusiasmo da destruição que se revela o sentido da criação divina. Somente no meio da morte fulgura a vida eterna (15).»

13 Sobre tudo isto cfr. Bhagavad-gftâ, IX, passim e 33.
14 Ed. Heilborn, v. II, págs. 230, 650, 586, 502 e segs. 514.
15 F. SCHLEGEL, Kritische Schriften (ed. Rasch), Munique, 1956, pág. 101.

    Estas citações de Novalis apresentam, contudo, certas imprecisões por falta de
ligação com uma das tradições indicadas na «Via da Mão Esquerda», mantendo-se, por isso, no plano da pura intuição filosófica, sem qualquer contrapartida prática. Porém em Sade, no «divino marquês» já nada é divino e os reflexos longínquos dessa sabedoria perigosa aparecem o mais possível deformados e satanizados.
    Parece existir também, neste caso, sobretudo o intuito da destruição de todos os limites, não sendo exaltada senão uma espécie de super-homem tétrico, sem brilho; certos comentadores modernos como G. Bataille e Maurice Blanchot, tem sabido falar unicamente de uma «solidão soberana» quando o homem de Sade conduz inexoravelmente a um acume tudo o que é violência e destruição. Não é por isso menos significativa a relação específica que se estabelece em Sade entre a mística da negação e a esfera sexual. Colocando o essencial no lugar que lhe é devido, chegaremos ao fundo em que se integram certos aspectos liminais da própria experiência erótica e teremos a possibilidade de distinguir o que é, e o que não é, perversão.
    Uma vez que a principal orientação seguida neste livro é a da «Via da Mão
Esquerda» acrescentaremos algumas informações acerca do fundo cosmológico que é próprio a esta Via na tradição hindu. O ponto de partida será a doutrina do
desenvolvimento cíclico da manifestação, compreendendo duas fases ou aspectos essenciais: o pravrttîmarga e o nivrttîmarga. Na primeira fase o espírito absoluto determina-se, torna-se finito, e une-se às formas e delimitações («nome-e-forma», nama rûpa) visíveis em todas as coisas e seres que nos cercam. Este processo desenvolve-se até um limite para além do qual a direção se altera, e a segunda fase, o nivrttîmarga, sucede-lhe no sentido de um regresso, de um afastamento do espírito de tudo quanto é finito, formado e manifesto, de uma rescisão da relação de identificação com a do espírito, verificada na fase precedente (16).
    Brahmâ e Vishnu, considerado o primeiro como o deus que cria e o segundo como o que conserva, reinam no pravrttî-marga, Shiva no nivrttîmarga. A «Via da Mão Direita» (dakshinâcâra) inclui as orientações, vocações profundas e atitudes na primeira fase, enquanto a «Via da Mão Esquerda» (vâmâcârâ) está ligada à segunda fase. Correspondem, ao aspecto criador, positivo e conservador da manifestação leis, normas e cultos determinados, sendo a sua ética a da fidelidade à própria natureza (svâdharma) no âmbito da tradição. Na segunda fase a via é oposta: é o desprendimento, o abandono de tudo isto. Para o desprendimento duas formas são possíveis: uma ascética, a outra destruidora e dissolutiva. É esta que caracteriza o vâmâcârâ, ou seja, a própria «Via da Mão Esquerda», igualmente ligada às práticas tântricas denominadas o «ritual secreto» (o Pancatattva), enquanto que o sentido ascético é sobretudo representado pelo Laya-yoga ou o Yoga da dissolução. O termo vâmâ (esquerda) da expressão vâmâcârâ é também interpretado em alguns textos
com o sentido de «contrário»: quer dizer, a oposição de tudo quanto é próprio ao
pravrttîmarga, aos aspectos criadores-conservadores da manifestação, sendo
consequentemente, mais do que uma atitude de desprendimento, de desprezo por todas as leis e normas, a ética do antinomismo, ou mais precisamente, a anomia daquele que se coloca sob o signo do nivrttîmarga. Tecnicamente «o método indicado pelos mestres (desta via) é o de empregar as forças de pravrttî (as forças próprias à fase positiva e vinculante da manifestação) de modo a torná-las autodissolutivas» (17). O siddha, isto é, o adepto desta via, não conhece leis, sendo conhecido por svecchâcâri, «aquele que pode fazer tudo o que quer».

16 Este ponto de vista corresponde exactamente à teoria plotiniana do proodos e do epistrofé,
correspondendo a segunda destas fases, por sua vez, àquilo a que os Estoicos chamaram o
ekpurosis e os primeiros autores cristãos o apokatastasis panthos. Todavia as ideias contidas nestas últimas concepções foram materializadas sob a forma de acontecimentos situados no fim dos tempos.
17 Poderemos cfr. o que ficou dito numa afirmação de VALENTINO o Gnóstico (apud MEAD, cit.,
pág. 224): «Desde o começo fostes imortais e filhos da Vida—Vida semelhante à que gozam os Eões.
Desejaríeis, contudo, partilhar a morte entre vós para a dispersar e a prodigar; para que a morte
pudesse morrer em vós e por vossas mãos, uma vez que, na medida em que dissolveis o mundo e não sois dissolvidos, sois os senhores de toda a criação e de toda a destruição.» Para referências sobre a «esquerda» na tradição cabalística, cfr. AGRIPPA (De occulta philosophia, III, 40), que relata o modo como os cabalistas distinguem os dois aspectos de divindade; um chama-se phad mão esquerda e espada do Senhor, correspondendo-lhe o temível sinal que está impresso no homem, e devido ao qual todas as criaturas lhe são por direito, submetidas; o outro aspecto chama-se haesed, clemência, mão direita e é, ao contrário, o princípio do amor.

    Foi estabelecida para o termo vâmâ, esquerda, uma outra interpretação, a de «mulher», que nos vem especialmente recordar o papel que a utilização da  mulher e da orgia (uma vez que o Pancatattva tântrico autoriza não só a utilização da mulher como a das bebidas inebriantes) desempenham na «Via da Mão Esquerda». Deste modo, pode considerar-se esta via, do ponto de vista técnico, como sinónimo de latasadhâna, termo que faz alusão à posição complicada que a mulher assume, nos meios hindus, durante o ato sexual mágico (18).
    É natural que os adeptos destas vias aprovem a que escolheram, e condenem a outra. Os tantras, por exemplo, afirmam que a diferença que existe entre a «Via da Mão Esquerda» e a «Via da Mão Direita» é a mesma que há entre o vinho e o leite (19). Elas são, contudo, consideradas como dois métodos diferentes para atingir um fim único. Trata-se, pois, e tão somente, de estabelecer, para cada caso, qual das duas vias convém às inclinações e à própria natureza de cada um. J. Woodroff observou a este respeito que em lugar de «mal» cada um deveria referir-se «àquilo que não me convém», e em vez de «bem» «àquilo que é bom para mim». O antigo adágio : non licet omnibus Citheram adire, tem o mesmo sentido.
    Convém, finalmente, sublinhar que a «Via da Mão Esquerda» é válida também no plano geral indicado pela Bhagavad-gïtâ, em que se fala, por exemplo, da via própria ao guerreiro, sem referências sexuais ou orgíacas de qualquer ordem. Na mesma Bhagavad-gïtâ esta via é assimilada, naquilo que se refere ao seu fim supremo, à da fidelidade, ao seu modo de existência e de ritualização ou sacralização da vida (a fórmula correspondente é: tat madarpanam Kurushva) isto é, completamente assimilada ao dakshinâcâra, à «Via da Mão Direita»).

18 Sobre este assunto cfr. J. WOODROFFE, Shâkti e Shâkta, Londres--Madrasta, 1929, pág. 147
e ss.
19 Ibid., pág. 153.

Retirado de "A metafísica do sexo" de Julius Evola. Re-editado por AShTarot Cognatus.